É tempo de enfeitar a árvore

*por Christian Moreira

 

E rapidamente mais um ano se foi. Parece que ainda ontem festejávamos a chegada de 2017, um ano que nos prometia muitas realizações, conquistas, desafios, superações. E no afã destas metas, na luta por estes objetivos, nos distraímos um pouco e, de repente, olhamos para cima e ao redor e percebemos que o ano caminha para seu ocaso. E o indicativo mais contundente disso? As luzes de Natal!

É chegada a hora de, como se faz desde a Roma antiga e mais recentemente na Inglaterra do século 18, enfeitar a árvore de Natal, com todos os ornamentos coloridos e luzes que ela puder suportar. Nosso filho de quatro anos, há uma semana continuamente me pede: “papai vamos montar a árvore de Natal”. Para ele, o Natal e o papai Noel vêm juntos, e com eles os presentes. O que não é de tudo errado.

Não podemos desconsiderar o forte apelo comercial que este período evoca, mas há muito, muito mais para além do consumo. Em várias culturas e tradições, a principal simbologia para representar a vida, é a árvore. Na cultura judaico-cristã a criação se vincula à Árvore da Vida. Jesus Cristo é descrito como descendente da raiz de Davi.

A montagem da árvore de Natal, se apresenta como uma oportunidade, uma ocasião ou mesmo um pretexto para parar tudo e se reunir em torno de um objetivo comum entre os familiares e amigos: enfeitar a árvore. E é disso mesmo que estamos precisando em nossos dias: enfeitar a árvore da nossa vida!

Certa vez ouvi de um amigo: “a vida está ficando cinza”. Exatamente assim estamos como sociedade, como indivíduos, como humanidade, nos sentindo acinzentados. Especialmente nesses dias em que a violência, o desemprego, a crise no sistema de saúde, a corrupção insistem em nos roubar a esperança.

É então redobrada a necessidade de enfeitar a árvore da vida!  E o que é o Natal, senão exatamente a celebração da vida? A vida que chega por meio de uma criança, em meio à simplicidade, quiçá pobreza de uma estrebaria, em uma cidade que ficava entre o nada e o lugar nenhum: Belém. Não é necessário ser cristão para tirar desse episódiolições importantes para a vida. Ela não está fundamentada nos bens materiais, que não são fins, mas meios. Nem tão pouco no status ou nas convenções de valor ou importância que são artificialmente criadas e, portanto, efêmeras. As coisas que realmente importam são simples e perenes, mas requerem cuidado e bom trato.

Recordo que, na minha infância, as bolinhas que enfeitavam as árvores de Natal eram de um vidro muito fino, de tal maneira que seu manuseio exigia uma atenção, um cuidado redobrado, senão elas poderiam quebrar e, quase sempre, machucar as mãos de quem as retivessem naquele momento. Até mesmo juntar os pedaços era uma operação de risco. Hoje essas bolinhas, são de plástico, praticamente inquebráveis. E isso também diz da árvore de nossa vida. Os nossos relacionamentos, aqueles que realmente importam, que nos são basilares, requerem nossa atenção e cuidado, por serem frágeis. Negligenciá-los sempre resulta em pessoas feridas.

A ornamentação da árvore, é concluída com a colocação da estrela, em seu topo. No lugar mais alto, o sinal mais importante. A estrela que simboliza o sinal que guiou os reis magos, ao norte, até o lugar onde Jesus estava. E por isso, ela é apenas colocada na noite de Natal.

Talvez possamos estar “desnorteados”, sem saber qual o próximo passo a ser dado. Olhe para o céu, olhe para o seu coração e encontre a sua estrela. Lá estará o significado, a razão da celebração: a vida. Com todas os seus sabores e dissabores, altos e baixos, partidas e chegadas. Celebremos com a árvore de Natal, a Vida que chega na simplicidade de um menino Deus, a vida que vivemos no ano que termina, a vida que nos é dada gratuitamente como dom.

Desde já, um Feliz e Santo Natal!

*Christian Moreira é Historiador, Mestre em Ciências da Educação e membro da Comunidade Canção Nova