Sua filha está para nascer!

* Cristiane Gesuatto

“Agora, eis o que diz o Senhor, aquele que te criou, Jacó, e te formou, Israel: Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu” (Is 43,1). Não temos dúvida de que nossa filha foi gerada no coração de Deus e gestada em nosso coração de pais.

Eu e meu esposo – Silvestre do Carmo Zuazquita – nos casamos em outubro de 2010, com 35 anos, e, desde o início do nosso matrimônio, nos abrimos à vida! Tivemos uma gestação que não seguiu até o fim, um momento de luto para nós, mas também de grande confiança em Deus. 

A partir daí, foram tratamentos, cirurgia para desobstruir as trompas, vários exames e a espera de gerarmos novamente! Os anos passaram e, por providência de Deus, num momento muito difícil, ao escutar o médico dizer que não teria mais o que fazer, meu esposo, pela graça do sacramento do matrimônio, me disse: “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Este foi nosso compromisso e, se não pudermos gerar naturalmente, podemos ser pais por adoção!” Que presença de Deus e que consolo essas palavras trouxeram para o meu coração!

Assim, demos os primeiros passos para essa nova escolha. Fomos ao fórum, providenciamos toda a documentação, pois isso é imprescindível no processo de adoção, para o preenchimento dos dados no cadastro nacional.

Foram cinco anos de espera, de muitas expectativas, de algumas dúvidas, até medos, contudo de muita fé! Até que a boa notícia chegou aos nossos ouvidos: “Sua filha está para nascer!” Uma imensa alegria tomou conta de nós, nossa filha estava para nascer! Era uma segunda-feira do ano de 2017, início do mês de novembro, quando eu e meu esposo recebemos a ligação da psicóloga de um município do Estado do Amazonas (BR), dizendo que a criança, ‘nossa filha’, poderia nascer nos próximos dias.

Na ocasião, fomos interpelados por uma pergunta: “Vocês já têm um nome para ela?” E nós respondemos: Sim! Por que, ela ainda não tem nome? Para a nossa “surpresa”, a genitora, que graças a Deus levou a gestação até o fim, não havia dado nome para a criança em seu ventre.

E, prontamente, respondemos à pergunta: O nome dela é Glória Maria. A psicóloga ainda nos perguntou: “Nas próximas visitas que fizermos à bebê, enquanto vocês não chegam, podemos chamá-la pelo nome?” E nós dissemos: Sim, podem chamá-la pelo nome, Glória Maria! E sabe o que aconteceu? Tão logo o Conselho Tutelar fez a visita técnica à mãe biológica, que estava entregando a criança para a adoção, ao entrar na casa e chamar a criança pelo nome, ela ‘pulou’ e se mexeu no ventre! Com esse fato, compreendemos a força do nome que Deus nos havia inspirado a chamar nossa filha.

O nome que eu e meu esposo escolhemos fala de identidade, de pertença a uma família, de um convívio e vínculo familiar. Deus a havia gerado para nós! Em uma semana já estávamos de malas prontas para ir ao encontro da nossa filha e ao cumprimento das promessas de Deus para nossa vida. 

Até tê-la nos braços, muitas perguntas e questionamentos vieram, o que é normal. Porém, foi maior a certeza da maternidade e paternidade gestadas em nós! Não foram nove meses, foram cinco anos, e foi no tempo certo e da melhor maneira possível. Adotamos e fomos adotados!

Desde bebezinha, expressamos nosso amor para nossa filha e partilhamos da sua origem. Aos 8 anos de idade, contamos a ela sua história, a nossa história de amor! Que dia mais lindo vivemos, sob o olhar de Nossa Senhora e da Santa Helena Guerra, que intercederam por esse milagre em nossa vida. Ao final de nossa conversa, nossa filha, Glória Maria, disse: “Como a senhora sabia que eu era sua filha, os olhos de Deus estavam nos olhos da senhora?” Que emoção! Pensei comigo: Você entendeu tudo minha filha!

Deus nos escolheu para ser família! E, hoje, podemos testemunhar nossa alegria de ter uma filha feliz, segura e muito amada. Temos nossos defeitos, desafios diários, mas somos uma família feliz, cheia de amor! Como exortou o saudoso Papa Francisco em sua homilia na missa da Jornada das Famílias no Vaticano (27/10/2013): “Só Deus sabe criar a harmonia a partir das diferenças. Se falta o amor de Deus, a família também perde a harmonia, prevalecem os individualismos, se apaga a alegria”. 

* Cristiane Gesuatto Faria Zuazquita é missionária da Comunidade Canção Nova.